Decisão do STF sobre linguagem neutra
No dia 24 de fevereiro de 2026, o Supremo Tribunal Federal (STF) invalidou legislações municipais das cidades de Águas Lindas de Goiás e Ibirité que proibiam o uso da linguagem neutra ou não binária nas instituições de ensino públicas e privadas. Essa sentença, aprovada por maioria de votos, foi baseada no voto do ministro Alexandre de Moraes, que foi o relator do caso.
As Arguições de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1150 e 1155 foram apresentadas pela Aliança Nacional LGBTI+ e pela Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas, com o objetivo de anular as leis 1.528/2021 e 2.343/2022 que impunham restrições ao uso de linguagem neutra nas escolas.
O que é Linguagem Neutra?
A linguagem neutra é uma forma de comunicação que busca evitar a discriminação de gênero, utilizando expressões que não reforcem estereótipos ou categorias binárias. Essa abordagem visa incluir todas as identidades de gênero, tornando a linguagem mais inclusiva e representativa.

A importância da inclusão nas escolas
A inclusão é um dos pilares fundamentais na educação contemporânea. A prática da diversidade linguística, incluindo o uso da linguagem neutra, promove um ambiente escolar mais respeitoso e acolhedor. Isso pode impactar positivamente a autoestima e o aprendizado de estudantes que se identificam fora da norma binária de gênero.
Reações à decisão do STF
A decisão do STF gerou reações variadas entre a população e diferentes setores da sociedade. Para muitos, a validação da linguagem neutra representa um avanço significativo na luta pelos direitos LGBTQIA+ e na promoção da igualdade de gênero nas escolas. Por outro lado, houve expressões de desaprovação por parte de alguns grupos que acreditam que essa prática compromete a linguagem tradicional e gera confusão entre os estudantes.
Análise de leis municipais
As legislações questionadas pelo STF foram consideradas inconstitucionais tendo em vista que apenas a União detém a competência para definir as diretrizes e bases da educação, como estipulado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. As tentativas de regulamentação local que visam proibir conteúdos pedagógicos são ilegais e carecem de respaldo jurídico adequado.
Impacto na educação pública e privada
A decisão do STF implica que instituições de ensino, tanto públicas quanto privadas, não podem ser obrigadas a seguir proibições locais que restrinjam o uso da linguagem neutra. Isso promove uma uniformidade nas diretrizes educacionais que podem enriquecer a formação dos alunos, proporcionando um espaço que respeite a diversidade e a inclusão.
Argumentos contra a proibição
A proibição do uso da linguagem neutra em ambientes escolares foi contestada sob vários ângulos, incluindo a liberdade de expressão e o direito à educação inclusiva. Argumenta-se que a imposição de restrições lingüísticas fere os direitos humanos e limita a capacidade de educadores e alunos de se expressarem plenamente.
direitos humanos e educação
A educação deve ser um espaço que promove direitos humanos, incluindo o respeito à diversidade de gênero. Restrições que inibem o uso de linguagem neutra ou não binária constituem uma forma de violência simbólica que pode impactar negativamente a formação identitária dos alunos. O STF enfatiza que a inclusão é um elemento essencial nas diretrizes educacionais.
O papel da União na legislação educacional
Segundo a legislação brasileira, a União é a responsável por elaborar as normas gerais que estruturam a educação em todos os níveis. Essa centralização busca assegurar que todos os estudantes tenham acesso a uma educação de qualidade, uniforme e que respeite as diversas realidades sociais do país.
Próximos passos para a linguagem neutra nas escolas
Com a decisão do STF, os próximos passos envolvem a promoção de uma implementação mais ampla da linguagem neutra nas escolas. Isso inclui a formação de professores para essa nova realidade, a revisitação de currículos para integrá-la de forma respeitosa e eficaz e a conscientização da comunidade escolar sobre a importância da inclusão nas práticas educacionais.
Considerações Finais
A decisão do STF sobre a linguagem neutra nas escolas não é apenas um marco legal, mas também um passo significativo em direção a uma sociedade mais justa e igualitária. A capacidade de se comunicar de maneira inclusiva reflete um compromisso com o respeito às diversas identidades de gênero e a promoção dos direitos humanos.
Convém que a discussão sobre linguagem neutra siga avançando, não apenas nas esferas legais, mas também no cotidiano das instituições de ensino, promovendo o diálogo construtivo e a formação de um ambiente mais acolhedor para todos os estudantes.


